quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Segurança no mercado...

O jornal METRO de hoje fala sobre o negócio da Segurança privada que floresce com o crescimento da criminalidade, fruto de uma lei que facilitou, com intenções pouco claras, a libertação de presos preventivos. Em vez de gastarmos mais dinheiro no ordenado, equipamento e formação dos polícias, com prisões mais dignas e a integrar os presos que se quizerem integrar, preferimos gastar mais dinheiro em segurança privada. No meio disto pode perder-se o bem da população e da Justiça...Ou agora o bem da população e da Justiça é só o que as empresas fornecem? E pagamos duas vezes pelo mesmo serviço: ao Estado e às empresas privadas.
A reintegração dos presos na sociedade é ... esperar que sejam detidos novamente? Assim só ficam favorecidos os que não se deixarem apanhar, ou seja, funciona o mercado e o mérito criminal, que ficam recompensados.
E as empresas querem defender mais a sociedade, como é dever do Estado, ou mais a sua conta bancária e a capitalização bolsista?
Nada contra a iniciativa privada, mas desde que não seja à custa do interesse público, o qual tem sido ignorado por muitos politicos corruptos e corrompidos, vendendo a ideia do Mercado como a melhor receita para tudo e mais umas botas.
Para o mercado, quando se inventa a vacina inventa-se a doença. Quem sofre sempre somos todos nós. Quem queira e possa, paga mais para ter mais segurança, quem não possa ou não queira pagar sujeita-se até a perder a vida.
É, de novo, a Bolsa ou a Vida!

Empresas privadas de Segurança

PROTECÇÃO Quem não tinha, está a tratar disso. Quem já teve e dispensou está a voltar. A sucessão de crimes violentos e a consequente insegurança está a conduzir cada vez mais empresas, particulares e organismos públicos aos serviços de empresas de segurança
privada.
“Notamos mais solicitações, as pessoas sentem-se receosas”, diz ao METRO Rui Silva, presidente da Associação Nacional de Vigilantes.
Espaços que sempre requisitaram este tipo de seviço, como centros comerciais, estão a
mantê-la ou a reforçá-la. Bancos e postos de combustíveis que, denota Rui Silva, “deixaram
de contratar segurança privada há alguns anos”, voltam a solicitar protecção a empresas
privadas.

Negócio de 800 milhões
O volume global de negócios deste sector atinge, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Privada de 2007, os 800 milhões de euros. Envolve 203 entidades autorizadas e emprega
quase 39 mil pessoas. Esta tendência para o crescimento, realça o documento do
Ministério da Administração Interna, verifica-se desde 2001.
“Quem vende segurança neste momento só pode ter lucro. É um grande negócio”,
defende ao METRO Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP). Os serviços destas empresas são requisitados não apenas por
particulares e entidades privadas, como por organismos públicos.
A vigilância electrónica e a protecção pessoal são outras áreas da segurança privada em franco crescimento.
“Há um aumento de contratação de serviços de vigilância electrónica e
aquisição de alarmes”, confirma Rui Silva. A protecção pessoal é sobretudo requisitada por
“pessoas mais endinheiradas”, acrescenta Paulo Rodrigues, da ASPP/PSP. “Tenho
conhecimento de famílias que estão a contratar seguranças para levar os filhos à escola”, revela. “Só é lamentável que, actualmente, a segurança apenas esteja ao alcance de quem tem dinheiro”, critica o sindicalista.
A.B.

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